Wednesday, February 28, 2007

God Bless America...


Foi recentemente divulgado um relatório por parte do inspector-geral interino do Pentágono que afirma que a estrutura que estava encarregue da definição das políticas do ex-secretário da defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, distorceu informação sobre o Iraque. O relatório afirma ainda que terão sido produzidas informações de “qualidade duvidosa” ou até “inverosímeis” sobre o Iraque com o único objectivo de dar conteúdo político à visão dos principais responsáveis da Administração Bush neste domínio. E que havia ainda uma predisposição para encontrar dados que sustentassem a ideia de que existia uma relação significativa entre o Iraque e a Al-Qaeda.

E eu que sempre pensei que existiam mesmo armas de destruição maciça (o grande pretexto da invasão) no Iraque. Quer dizer, sempre pensei até capturarem o Saddam porque a partir daí fiquei desconfiado. E legitimamente, penso eu, pois se encontram um homem, que é manifestamente mais pequeno que um arsenal de armas de destruição maciça e que se pode mover sozinho, dentro de um buraco onde cabe pouco mais que ele…

Fiquei desconfiado, claro que fiquei desconfiado!

Bom mas teve que haver uma boa razão para a invasão porque os EUA, esse exemplo de sociedade que “nós” idolatramos, não ia entrar assim num país sem que a houvesse.

Petróleo? Expansão da sua economia capitalista?

Não! Isso são teorias da conspiração!

Razão havia pois o povo iraquiano não era livre uma vez que ainda não tinha acesso à fantástica comida do Mc Donald´s (devia ser obrigatório em qualquer país civilizado). Daqui a uns tempos sim, quando os “mal agradecidos” dos iraquianos deixarem de brincar às bombinhas e assimilarem por completo o “american way of life”, então serão livres pois já existirão umas quantas multinacionais americanas em seu território e aí já serão um povo civilizado.

E à custa de quem? Dos bons samaritanos dos americanos, pois claro!

Só não percebo é porque é que as pessoas não vêem isso!

E já agora, porque não, o Bush ganhar o prémio Nobel da Paz.

Saturday, February 24, 2007

Venham mais cinco...




Vinte anos depois da sua morte o seu trabalho como músico ainda não é reconhecido por uma grande parte da sociedade portuguesa devido à sua personalidade politica.



Contudo o seu valor músical é inquestionável e seu trabalho enquanto resistente inegavél.



Por tudo o Zeca representou e continua a representar para a sociedade que se revê nele, não poderia deixar de lhe fazer uma pequena homenagem.



Para o homem e para o músico...



http://www.youtube.com/watch?v=gbxJAJnR7ro


http://www.youtube.com/watch?v=sq35ur496GE

Friday, February 23, 2007

Grandes Portugueses...

Este inútil programa já suscitou as mais variadas reacções do povo português, mas houve uma que achei particularmente curiosa. Li num jornal à uns tempos alguém que dizia que o facto de Salazar e Álvaro Cunhal estarem à frente a competir pelo primeiro lugar significava a falência do actual sistema em que vivemos e que era necessário reflectir porque os portugueses estavam a votar nas duas pessoas que mais contribuíram para a ausência de liberdade no nosso país.

Bem, se com a primeira observação sou obrigado em parte a concordar, uma vez que o que se passa hoje em dia em Portugal não era o desejo de nenhum deles, considero a segunda observação absolutamente estúpida!

Então um homem que lutou durante a maior parte da sua vida contra o fascismo como foi o caso de Álvaro Cunhal, passando muito desse tempo preso pelo regime por acreditar ser possível viver num mundo diferente, quando a maior parte se acobardava ou se resignava (já para não falar dos que colaboravam com o regime), não contribuiu para a liberdade de que todos nós usufruímos hoje em dia?

Acho que tanto Álvaro Cunhal como todos aqueles e aquelas que deram a sua liberdade ou até mesmo a sua vida em troca da liberdade que agora vivemos merecem não só o nosso respeito como a nossa admiração!
É que o 25 de Abril não se resume a um dia. Para que este se pudesse dar houve muito trabalho durante muitos anos para criar as condições em que este se deu, muitas vezes passando fome e vivendo na clandestinidade.

E agora querem igualar o opressor e o oprimido metendo-os no mesmo saco (como se costuma dizer), atenuando a acção do regime que durante anos a fio reprimiu de forma violenta os direitos do povo português, tentando fazer passar uma ideia benévola de um regime fascista e desvalorizando a luta de um grande combatente.

Mas isso não me admira nada. Num país em que se condena mais um ano e meio de PREC do que 40 anos de ditadura tudo é possível…

Que Grandes Portugueses nós somos!



E lá foi ele...



A Guiné Equatorial é um país da África Ocidental, dividido em três territórios descontínuos, um continental e os restantes insulares. A norte, no Golfo da Guiné, a ilha de Bioko é o território mais importante e alberga a capital do país, Malabo. O vizinho mais próximo é os Camarões, a nordeste, seguindo-se a Nigéria, a noroeste, Mbini, a sueste, e São Tomé e Príncipe, a sudoeste. O segundo território é a parte continental do país, Mbini, encravado entre os Camarões, a norte, o Gabão a leste e sul e o Golfo da Guiné a oeste. Partes deste território estão mais próximas de São Tomé e Príncipe do que de Bioko. Finalmente, a sudoeste, a pequena ilha de Pagalu completa o país, tendo como vizinhos mais próximos São Tomé e Príncipe, a nordeste, e o Gabão a leste.


Em 1909, as colónias espanholas de Elobey, Annobón, Corisco, Fernando Póo e Guinea Continental Española foram unidos sob uma administração única, formando a Guinea Española. Em 1935, a colónia foi subdividida em dois distritos: Fernando Póo (a ilha de Annobón, com a capital Santa Isabel) e Guinea Continental (com a capital Bata, e as pequenas ilhas de Corisco e Elobey). Em 1960, os dois distritos tornaram-se províncias ultramarinas de Espanha e designadas Fernando Póo e Rio Muni. Em 1963 as províncias foram combinadas na região autónoma da Guinea Ecuatorial e, finalmente, em 12 de Outubro de 1968 tornaram-se num país independente.


Foi governado por dez anos, na década de 1970, por Francisco Nguema, que assassinou milhares de opositores. Nguema usou a ignorância do povo e muita propaganda para se manter no governo pelo terror, até que foi deposto, em 1979. O actual presidente, Teodoro Obiang foi eleito pela revista Forbes o oitavo governante mais rico do mundo.
A principal riqueza da Guiné Equatorial é a agricultura e a pesca, com produtos como o algodão, café, cana-de-açúcar, várias frutas etc. Também depende do gado, da exportação de madeira e de minerais.


Desde o fim do século XX, com a exportação de petróleo, a renda per capita tem aumentado espectacularmente, ainda que a riqueza se concentre nas mãos de uma minoria, em sua maior parte, propriedade do clã no governo ou de companhias internacionais. A exportação do barril por habitante é similar à do Kuwait.


A Guiné Equatorial tem uma população jovem (45% não supera os 15 anos) com uma taxa de natalidade por volta de 42 por mil e uma taxa de mortalidade de 16 por mil. A esperança de vida é de 49 anos para os homens e 53 para as mulheres. Só uns 4% da população têm mais de 65 anos. A taxa de alfabetização entre os adultos estava em 1992 em 52%, mas subiu para 80% até 1999. A maioria da população vive nas zonas rurais.

Tudo isto porquê?

Porque é lá que se encontra um dos meus melhores amigos!

Neuzão este é para ti! Aproveito para te desejar boa sorte em nome de todos (tu sabes quem são) e dizer-te que o pessoal sente a tua falta! Aproveita ao máximo a todos os níveis e volta depressa!

Aquele abraço!!!

Nu Bai


Nu Bai é um filme documentário de um jovem realizador brasileiro, Octávio Raposo, que retrata o quotidiano de jovens moradores em vários bairros sociais (eu diria mesmo guetos) nos arredores de Lisboa – Cova da Moura, Arrentela, Pedreira dos Húngaros, Chelas, Miraflores, entre outros – e a cultura Hip-Hop que está enraizada nessas comunidades luso-africanas.

Nesse documentário os seus protagonistas (entre os mais conhecidos encontram-se Chullage, Niga Poison e Kronic,) revelam as suas ambições, frustrações e especialmente a sua revolta perante o sistema.

Devo dizer que gosto de algum Hip-Hop mas não me identifico por aí além com a sua cultura. Identifico-me pouco mais que com a parte da crítica social e revolta contra o sistema que lhe está subjacente. Contudo compreendo o sentimento de revolta de quem se vê marginalizado, pelo menos à duas gerações, por uma sociedade com valores culturais diferentes, mas algumas vezes por culpa própria, é importante dizê-lo.

Em relação ao documentário propriamente dito este começa com o Chullage a dizer que o que se faz naqueles bairros em termos de música é o mesmo que outros camaradas (são palavras do próprio) fizeram no passado, nomeadamente Zeca Afonso e José Mário Branco, ou seja música de intervenção contra um sistema injusto que é preciso combater.

Sendo inequívocas as diferenças entre o sistema actual e o que outros camaradas combateram (e agora as palavras são minhas), e tendo em conta que este apesar de tudo é melhor sem a mínima dúvida, devo dizer que na minha opinião talvez o sistema actual seja mais difícil de combater que o sistema que outros camaradas combateram, uma vez que este (o Fascismo) era visível, tinha um rosto e nomes, sabia-se onde é que ele estava. Hoje em dia o sistema anda aí disfarçado de coisas bonitas e falsas liberdades, esconde-se atrás das boas intenções e das falsas ilusões. E só a alguns mostra a cara e se apresenta como Sonae, BCP, PT, Mc Donald´s e outras multinacionais, etc.

De volta ao documentário, entre muito Hip-Hop, algumas visões do mundo, desabafos e fórmulas mágicas para se fazer rap e vencer o sistema, surge mais uma “dica” por parte do Chullage (sem dúvida o melhor orador do filme) em que diz que os habitantes desses bairros são usados como cavalos de batalha por parte do poder político na altura das eleições, tanto à esquerda como à direita.

Realmente quem é que nunca viu um líder político em campanha a passear-se por um desses bairros? E quem é que os vê lá noutras alturas? E o que é que se tem feito para ajudar essas pessoas? Na minha opinião muito pouco. Se bem que as culpas não podem ser igualmente distribuídas pelos vários partidos uma vez que os seus poderes são muito diferentes. E para isso basta ver a diferença no assento parlamentar e o mapa da distribuição autárquica “por cores”. É mais ou menos nessa proporção que se deve culpabilizar o poder político. E digo mais ou menos porque a atitude perante o problema é bem diferente de partido para partido, em especial entre a esquerda e a direita.

Moral da história: tentem ver o documentário que vale a pena!

Carnavais


Ando aqui numa indecisão há já alguns dias sem saber de que me mascarar este Carnaval e não há meio de me decidir. Já pensei em todas as personagens e mais algumas, desde os super-heróis ao forcado mas isso é tudo demasiado caro.
Foi então que me surgiu uma ideia. Uma vez que o Carnaval é aproveitado para satirizar todos aqueles que têm algum peso na nossa sociedade resolvi satirizar a personagem que de todas é sem dúvida a que mais peso tem: nada mais nada menos que o próprio ser humano, com especial destaque para o tuga.

Esse mesmo!

- Aquele que gosta de deitar lixo para o chão e atirar o maço de tabaco pela janela do carro.

- Aquele que gosta de despejar entulho numa qualquer fazenda ou parque natural.

- Que passa a vida a queixar-se que isto está mau mas no dia de colocar lá a cruzinha vota sempre nos mesmos. Depois é como se vê, mudam as moscas mas a merda é sempre a mesma!

- Aquele que gosta de ir buscar comida ao Mc Donald’s e depois deixar os recipientes por aí espalhados numa espécie de publicidade gratuita e suja.

- O que passa a vida a dizer mal dos políticos mas depois também não faz nada ele próprio para que possamos viver numa sociedade melhor.

- Aquele que não pensa pela sua cabeça porque passa a vida a levar com a “poluição mental” que a TVI e a SIC têm para oferecer.

- O mesmo que gosta de levar os filhos ao Mc Donald’s contribuindo assim para a obesidade infantil e para o enriquecimento da economia que anda por aí a espalhar guerras como forma de subsistir.

- Que adora estacionar o carro num qualquer parque de estacionamento mas sempre a acertar o centro do carro com a linha divisória entre dois lugares adjacentes. Ou então a atravessar.

- Que vai à missa comprar um lugar no céu mas aproveita para se meter na vida de toda a gente e para soltar a língua assim que sai porta fora (mas isso compreende-se porque a missa é um tédio tão grande que assim que ela acaba até o mais fiel dos fiéis está a precisar de um bocadinho de animação).

- Que acha que os outros animais só existem porque deus os criou para satisfazer as necessidades do Homem.

- Que gosta muito de ser solidário no natal mas no resto do ano pensa em pouco mais que nele próprio, como se a necessidade e a miséria não existissem no resto do ano. Hipocrisia ou mais uma prestação na compra de um lugar no céu?

Ainda bem que não somos todos iguais!

A propósito acho que acabei de ter uma ideia melhor para disfarce carnavalesco. Já não é por aqui o caminho…

Friday, February 16, 2007

Bandidos!!!


Ouvi há uns tempos uma crítica do Miguel Sousa Tavares numa daquelas intervenções que ele faz às terças-feiras no Jornal Nacional da TVI que me deixou indignado, e só não expressei a minha indignação à mais tempo por falta de oportunidade. Eis que ela surge e cá vai o desabafo.

Nessa noite foi noticiado pela TVI que muitos portugueses inscritos no fundo de desemprego faziam uns biscates por fora, assim na surra. E como era terça-feira lá estava o Miguel Sousa Tavares para ir comentando algumas notícias. E o que me revolta é a ferocidade demonstrada pelo dito cujo. Já não me lembro ao certo das palavras usadas pelo mesmo para classificar “esses bandidos dos biscates” mas garanto que não fora nada meigas. De forma raivosa acusou essas pessoas de enganarem o estado e os contribuintes, de serem pessoas sem escrúpulos, etc, etc.

Eu até compreendo o senhor que não deve saber o que é viver com dificuldades, querer dar algo mais a um filho e não ter como, uma vez que o subsídio de desemprego dá para o que dá. Talvez o senhor não saiba que esses trabalhadores dos biscates os fazem para não estarem em casa sem nada para fazer e a ganhar ferrugem nas articulações e para passarem o fim do mês de uma forma mais desafogada. Mas pronto é contra a lei, há que condenar.

Só gostava que por um ano da sua vida o senhor em questão tivesse que viver com as mesmas dificuldades com que essas pessoas se deparam para ver se ele fazia ou não uns biscates. Sem querer faltar ao respeito ao senhor acho que ele se deixava logo de moralismos e se fazia à vida.

Só acho estranho que no meio de tanta corrupção que existe em Portugal, tanta gente a encher-se de dinheiro à custa das mais sujas jogadas, passando por cima de tudo e de todos, tanta falcatrua de fato e gravata, se critique de uma forma tão feroz pessoas pobres que apenas tentam tirar as suas famílias de uma situação angustiante que é chegar ao fim do mês sem dinheiro, e que apesar de tudo o fazem com o suor do seu trabalho que tanto jeito dá também aos seus pontuais empregadores.

Enfim são só opiniões…

Thursday, February 15, 2007

Vai uma bolonhesa?


Como sou estudante universitário já cá faltava um assunto mais académico. Por isso há que abordar Bolonha, assumindo desde já que não vejo esta mudança com muito bons olhos.

Até pode ser importante criar um modelo de ensino europeu, uniformizando as licenciaturas tendo em conta este novo espaço em que nos movimentamos chamado Europa.

Pois, o problema é que eu não sou muito europeísta e nestas coisas da Europa sou sempre muito céptico, para além de não me sentir um cidadão europeu (porque é que haveria de sentir? Por ter ido uma vez a Badajoz comprar uma bolsa de cd’s, que entretanto já me roubaram?)

E acho que até tenho uma certa legitimidade para pensar assim. Se não vejamos:

A nossa “aventura” nesta Europa começa em 86 com a adesão à então denominada CEE, e não que me lembre mas como já tive oportunidade de constatar, logo vieram os fundos comunitários, os famosos subsídios, que tanto jeito deram ao país (mas será que foi mesmo ao país?). Falando nomeadamente nos subsídios que foram atribuídos por Bruxelas para desenvolver a agricultura portuguesa, pode-se dizer que o país não ganhou muito com isso. Ganharam os grandes latifundiários que em vez de investirem esses fundos na agricultura e no seu desenvolvimento preferiram comprar um belo monte alentejano ou outra herdade qualquer, um bom jipe ou outro bom carro qualquer, etc, lucrando assim com a cumplicidade, passividade ou ingenuidade dos sucessivos governos.
Agora compramos à Espanha aquilo que a nossa agricultura sub-desenvolvida não consegue produzir e ainda sou obrigado a ouvir desabafos do tipo:

“Epá já apanhei X lanços de azeitona da herdade Tal, já nem vou apanhar nada na outra herdade, para quê? Não preciso. Fica-se lá a estragar! “

Enfim como em todo o resto as coisas estão bem distribuídas!

Depois veio o euro, essa maravilhosa moeda que permite viajar dentro da Europa sem ter que fazer o câmbio que é tão chato. Pois, é preciso ter dinheiro para viajar, e isso não toca a todos. Mas fosse esse o mal maior. O pior é que dantes se bebia uma mini por 50 escudos agora bebê-las a 50 cêntimos já é uma sorte. E o que acontece com as minis acontece com a generalidade dos produtos, eu é que gosto de fazer as contas em cerveja (sou um bocado boémio portanto!). Ou seja se o euro trouxe realmente algo de novo foi mais dificuldades económicas.

Depois as constantes imposições de Bruxelas para baixar o défice e o consequente apertar de cinto por parte dos portugueses. Ou melhor de alguns, porque a velha máxima de que o exemplo deve vir de cima nem sempre se verifica. Mas eu destas coisas da economia devo admitir que percebo pouco, mas lá que se sente no pêlo isso sente!

E agora chega o processo de Bolonha. E mais uma vez sou obrigado a ser céptico, porém, e uma vez que já não há nada fazer uma vez que a adopção deste modelo é um facto consumado, há que dar o benefício da dúvida, se bem que já tenho uma opinião formada sobre o assunto. A minha opinião sobre o processo de Bolonha é a seguinte:

- É uma desvalorização das licenciaturas, dada a sua redução curricular. Se uma licenciatura de 5 anos já vale pouco, o que dizer de uma de 3 anos.

- Depois a questão dos mestrados. Se um aluno mais carenciado já tem dificuldades em pagar as abusivas propinas de licenciatura, é obvio que não consegue pagar as “milionárias” propinas de um mestrado. Ou seja Bolonha acentua as desigualdades sociais do ensino.

- Outra razão prende-se com os diferentes desafios que cada país enfrenta. Faz sentido os países terem uma forma de ensino igual quando as suas necessidades são tão diferentes?

- Além disso é uma forma de desresponsabilizar as universidades pelo ensino dos seus estudantes, aumentando os encargos dos alunos no seu estudo. Ou seja, ensinam-te menos, pagas mais e tens que saber o mesmo, pelo que tens que despender de um maior esforço para saberes alguma coisa.

Acho que são razões suficientes para ficar de pé atrás. Vamos lá ver o que isto vai dar…




Monday, February 12, 2007

O Fim da História?


Embora o título seja sugestivo ao fim da Guerra-fria e consequente queda da ex-URSS e do Comunismo derrotado pelo Capitalismo no final da década de 80, não é disso que se trata neste caso. Até porque não concordo com a ideia de fim da história e já existe um livro (que até tenho uma certa curiosidade em ler) com este mesmo título. E basta um olhar atento ao que se passa ali para os lados desse continente de onde saiu essa ideia de fim da história, um pouco mais a sul, para se perceber o porquê da história não ter chegado ao fim. Dá até a ideia de que a história se começa a reescrever, esperemos que para ser “melhor contada”. Além disso a história nunca acaba, pelo menos enquanto houver gente para contá-la.

E como o assunto aqui é outro vamos lá a ele. Em principio este será o meu último post referente ao aborto a menos que haja desenvolvimentos que mereçam maior destaque. E talvez haja...

Pois é o SIM ganhou o referendo com uma margem bastante considerável, embora de forma não vinculativa, já que a abstenção, embora menor que em 98, foi uma vez mais superior a 50%.

Então e agora será que a história fica por aqui?

A mim não me parece! Acho que esta etapa que se avizinha vai ser bastante atribulada. Primeiro, ou muito me engano (e espero bem que sim) ou uns apoiantes do NÃO com mais mau perder vão direccionar a sua luta, uma vez findo o referendo, na criação de entraves à respectiva reformulação da lei que agora terá que ser alterada. Vão usar como argumentos que o referendo não foi vinculativo, ignorando propositadamente que em 98 também não foi e mesmo assim respeitou-se a decisão do povo português. Que o país esta dividido (só se for em relação à abstenção que foi quase “fifty-fifty”, porque em termos de resultados a diferença é bem significativa). Que não querem ver o dinheiro dos seus impostos a ser investido na prática do aborto. Azar, um dia que eu pague impostos também me terei que aguentar ao vê-los ser aplicados em coisas com as quais eu não concordo. São os males da democracia. Os médicos do NÃO que se recusarão a realizarem as IVGs e outras coisas do género que foram ditas logo nas primeiras reacções aos resultados.

Depois existe outro problema. É que antes do referendo só havia o SIM e o NÃO agora que a reformulação da lei vai ter que ser decidida no parlamento há o PS, o PSD, o PCP,o PEV, o CDS-PP e o BE, cada um com as suas ideias de como a lei deve ser reformulada, ou seja muito mais ideias para discutir e muito maior divergência de pontos de vista.

Portanto há que ter a pestana aberta para as cenas dos próximos episódios que prometem ser bastante quentes. A não perder…

Friday, February 9, 2007

Próxima estação...Esperanza


Que vivemos num mundo de desigualdades sociais gritantes já toda gente sabe. Dos que vêem aos que sentem, dos que não querem ver aos que se conformam, para ninguém esse facto constitui uma novidade.

Este é o modelo de Sociedade que nós criamos, em que as classes sociais mais endinheiradas se conseguem abastar cada vez mais à custa das classes sociais mais desfavorecidas que se vão governando cada vez com mais dificuldades.

Mas isto continua a não ser novidade para ninguém. A questão que se coloca aqui é: será possível mudar o rumo a esta situação? É fácil dizer que sim. Que de acordo com certos modelos económico-sociais (sobre os quais não me vou alongar, até porque não é uma área que eu domine) se poderia inverter a situação. Eu também costumo dizer que sim, até porque não gosto de me dar por vencido.

Contudo hoje sinto-me um bocado pessimista em relação a uma eventual mudança porque para ela ocorrer é preciso vontade, muita vontade mesmo, e quando olho à minha volta vejo muito pouca vontade, e entre os que têm vontade vejo também muita inércia (grupo em que talvez me inclua).

E porquê hoje e não outro dia para me sentir pessimista? É que, como estudante universitário que sou, contacto diariamente com as pessoas que serão (ou pelo menos era suposto) os “homens de amanhã”, com mais conhecimentos, uma maior dinâmica, que se ganha inevitavelmente ao longo do percurso académico (hoje isso vale quase mais que o canudo), enfim pessoas com algum poder para mudar o rumo à situação (algumas até com bastante poder já que de uma forma ou de outra chegam a altos cargos na nossa sociedade).

Pois é, e hoje foi um desses dias. Isso até poderia ser bom não fosse o facto de ver na atitude das pessoas o espírito e a mentalidade de quem, para além de não querer mudar o rumo da situação, quer contribuir de forma activa para a perpetuação ou agravamento deste “estado de coisas”.

Cada vez mais me apercebo de quanto as pessoas são egoístas e que parte delas não tem o mínimo de consideração pelas dificuldades dos outros, revelando mesmo uma certa ignorância em relação ao que isso é. Revolta-me profundamente o facto de haver pessoas que não conseguem olhar para além do seu umbigo. Mas a conviver com essas pessoas também se conseguem algumas vitórias, e hoje consegui uma pequenina. Mas isso fica só para mim!

Tenho consciência que só as pessoas que me inspiraram a fazer este post compreenderiam a mensagem na sua totalidade, mesmo assim quis partilhá-lo com toda a gente.

Para finalizar resta-me o consolo de saber que este estado de espírito derrotista que hoje se apoderou de mim rapidamente se vai dissipar. Posso ainda dizer que são estas pequenas coisas que me vão enraizando cada vez a vontade de lutar contra todas as injustiças que vejo.

Cada vez mais tenho a certeza de que a luta é caminho!

Thursday, February 8, 2007

Que confusão...


É inevitável falar do aborto a poucos dias do referendo. A mim só me apetece dizer que isto está uma tremenda confusão. Antes de começar a lançar umas farpas ao NÃO assumo já que sou pelo SIM.

Os partidários do NÃO começaram a campanha utilizando como base do seu discurso o “ somos pela vida ” (e continuam a fazer questão de o repetir sempre que se fala no assunto), fazendo querer que é isso que os distingue do SIM (esses de certeza que são pela Morte). Depois aparecem com os seus discursos muito bonitos e moralistas ao som de uma qualquer música deprimente no tempo de antena que lhes é concedido na televisão, fugindo sempre às questões da vida real como por exemplo: “ Será possível erradicar a prática de aborto no nosso país? ” ou “ o NÃO contribui em alguma coisa para o combate ao flagelo social que é o aborto clandestino? ”, ou ainda “ a actual lei tem alguma coisa para oferecer às mulheres que não seja um aborto nas condições mais desumanas, com risco para a sua saúde e para a sua vida? ”. E depois se tiverem a sorte da coisa ter corrido bem, ainda têm saúde suficiente para apanharem uns 3 anos de cadeia. Os partidários do NÃO fogem a estas perguntas porque também a estas perguntas teriam que responder NÃO!

Há ainda os problemas psicológicos que um aborto, seja ele clandestino ou não trazem à mulher. Com uma diferença considerável: é que o aborto se for feito legalmente permite o acompanhamento profissional de psicólogos enquanto o clandestino não porque as mulheres não vão ter a coragem de procurar ajuda profissional dizendo que acabaram de cometer um crime!

Isto para não falar da Igreja e da sua constante desinformação, com a qual vem contribuindo ao longo dos anos para que um país que já por si anda devagar, se encontre quase parado, pelo menos em certos assuntos.

Mas até aqui tudo bem.

Eis que surgem os movimentos cívicos com umas ideias revolucionárias: “ Se o NÃO ganhar, mudar a actual lei no sentido de as mulheres não poderem ser penalizadas pela Justiça Portuguesa “.

Mau! Estão a querer virar o bico ao prego? Então mas isto não é já metade daquilo que o SIM defende? Estou a ficar baralhado!
Das duas uma, ou estes “ cidadãos em movimento “, mais uma semanita de campanha e já votavam no SIM ou então estão a começar a ficar desesperados.

Mas há mais umas coisitas que me estão a deixar um pouco confuso, nomeadamente no que diz respeito às posições de uns dirigentes partidários.

Passo então a citar um pequeno excerto de uma notícia publicada no Diário de Notícias na edição de 3ª feira dia 6 de Fevereiro de 2007 e que reza assim:

“ O líder do CDS/PP, José Ribeiro e Castro, afirmou ontem que o primeiro-ministro “ não está preocupado com a situação das mulheres “, acusando José Sócrates de se recusar a “ humanizar a Justiça “.

Esperem lá! Então mas afinal o Ribeiro e Castro é que é pelo SIM à despenalização do aborto e o Sócrates é que acha que a actual lei se adequa às exigências da nossa sociedade e aos interesses e bem-estar da mulher? Que raio, estava mesmo convencido que era ao contrário! Enfim devo andar um pouco distraído!

E continua:

“ Gostaria de ver o PS, o PCP e o BE a combater a humanização da justiça em Portugal “.

Está provado o gajo é mesmo do SIM!

E remata assim a questão:

“ Gostaria de ver o PS a querer mandar as mulheres para a cadeia “.

Oh senhor Ribeiro e Castro tenha vergonha!!!

Só para terminar, realçar aqui mais dois aspectos que demonstram a incoerência gritante dos partidários do NÃO:

A actual lei permite a prática de aborto em caso de violação e de má formação do feto. Então aqueles que defendem que esta lei serve, e já que são pelo direito à vida, estarão a dizer que os deficientes não têm direito à vida? Numa sociedade que se quer mais sensível ao problema das pessoas com deficiência isto é mesmo remar contra a maré!

Não querendo entrar pelo caminho da discussão de quando começa a vida, e admitindo que a vida começa assim que se dá a fusão dos gâmetas, como defendem muitos partidários do NÃO (e por isso a questão das 10 semanas não faz sentido), então teríamos que mudar mais uma lei, esta no sentido de proibir o uso da pílula do dia seguinte, uma vez que a mesma vai actuar depois da vida já ter sido concebida.

Ou então nada disto faz sentido!!!

Menos moralismo e mais coerência!

Tuesday, February 6, 2007

Vergonhoso!!




Vergonhoso! É a palavra mais simpática que consegui encontrar para classificar a propaganda grotesca que foi levada a cabo nos infantários de Setúbal (Aquário e Nuvem), dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, oportunamente noticiada pelo Diário de Notícias na edição de quinta-feira dia 1 de Fevereiro de 2007. Como se podem usar crianças que ainda nem sabem com que cor mais gostam de pintar, como pombo de correio de uma mensagem brutal que radicaliza uma posição num assunto tão complexo como é o referendo do próximo dia 11, arrastando para o ridículo qualquer perspectiva de debate, que se quer sério e consciente? Será que essas crianças que tantos direitos têm durante os 9 meses de gestação (como se defende), perdem esses mesmos direitos depois de nascerem, para serem usados desta forma como arma de arremesso moralista? Obviamente na tentativa de apelar a um voto emotivo e não consciente dos seus familiares!
Será apenas o desespero da ala mais religiosa (como se prova pelo cariz religioso da propaganda “metida” nas mochilas dos meninos) dos partidários do NÃO perante a eminente vitória do SIM? Ou será mais uma prova da falta de bom senso revelada por alguns partidários do NÃO, neste caso levada ao extremo?

http://dn.sapo.pt/2007/02/01/nacional/mae_como_foste_capaz_me_matar.html

Monday, February 5, 2007

apresentação

Ultimamente tenho visto, ouvido e lido tanta barbaridade, principalmente através da comunicação social, que achei que também tinha direito a partilhar as minhas. Vai daí resolvi criar um blog. A cena até tá na moda e tal...
Contudo o objectivo não é vir para aqui descarregar barbaridades porque disso já para aí há que chegue. Vou tentar expôr de forma clara algumas ideias e trazer a este blog assuntos importantes do nosso quotidiano e prometo que vou estar de pestana aberta, o mais possivel pois a vida não está facil e um gajo não se pode dar ao luxo de perder muito tempo com certas coisas (principalmente para um estudante em que todos os minutos contam). Mas sempre que me apetecer desabafar umas ideias cá estarei.
Antes de me despedir até ao meu primeiro post mais a sério, dizer apenas que qualquer erro ortográfico da minha parte é pura falta de atenção (que eu até nem tenho sido mau aluno a português), não querendo ferir a susceptibilidade de algum entusiasta mais radical da língua de Camões.
Até a uma próxima...
(Querem ver que tive este trabalho todo a escrever isto só para mim....)