Thursday, February 15, 2007

Vai uma bolonhesa?


Como sou estudante universitário já cá faltava um assunto mais académico. Por isso há que abordar Bolonha, assumindo desde já que não vejo esta mudança com muito bons olhos.

Até pode ser importante criar um modelo de ensino europeu, uniformizando as licenciaturas tendo em conta este novo espaço em que nos movimentamos chamado Europa.

Pois, o problema é que eu não sou muito europeísta e nestas coisas da Europa sou sempre muito céptico, para além de não me sentir um cidadão europeu (porque é que haveria de sentir? Por ter ido uma vez a Badajoz comprar uma bolsa de cd’s, que entretanto já me roubaram?)

E acho que até tenho uma certa legitimidade para pensar assim. Se não vejamos:

A nossa “aventura” nesta Europa começa em 86 com a adesão à então denominada CEE, e não que me lembre mas como já tive oportunidade de constatar, logo vieram os fundos comunitários, os famosos subsídios, que tanto jeito deram ao país (mas será que foi mesmo ao país?). Falando nomeadamente nos subsídios que foram atribuídos por Bruxelas para desenvolver a agricultura portuguesa, pode-se dizer que o país não ganhou muito com isso. Ganharam os grandes latifundiários que em vez de investirem esses fundos na agricultura e no seu desenvolvimento preferiram comprar um belo monte alentejano ou outra herdade qualquer, um bom jipe ou outro bom carro qualquer, etc, lucrando assim com a cumplicidade, passividade ou ingenuidade dos sucessivos governos.
Agora compramos à Espanha aquilo que a nossa agricultura sub-desenvolvida não consegue produzir e ainda sou obrigado a ouvir desabafos do tipo:

“Epá já apanhei X lanços de azeitona da herdade Tal, já nem vou apanhar nada na outra herdade, para quê? Não preciso. Fica-se lá a estragar! “

Enfim como em todo o resto as coisas estão bem distribuídas!

Depois veio o euro, essa maravilhosa moeda que permite viajar dentro da Europa sem ter que fazer o câmbio que é tão chato. Pois, é preciso ter dinheiro para viajar, e isso não toca a todos. Mas fosse esse o mal maior. O pior é que dantes se bebia uma mini por 50 escudos agora bebê-las a 50 cêntimos já é uma sorte. E o que acontece com as minis acontece com a generalidade dos produtos, eu é que gosto de fazer as contas em cerveja (sou um bocado boémio portanto!). Ou seja se o euro trouxe realmente algo de novo foi mais dificuldades económicas.

Depois as constantes imposições de Bruxelas para baixar o défice e o consequente apertar de cinto por parte dos portugueses. Ou melhor de alguns, porque a velha máxima de que o exemplo deve vir de cima nem sempre se verifica. Mas eu destas coisas da economia devo admitir que percebo pouco, mas lá que se sente no pêlo isso sente!

E agora chega o processo de Bolonha. E mais uma vez sou obrigado a ser céptico, porém, e uma vez que já não há nada fazer uma vez que a adopção deste modelo é um facto consumado, há que dar o benefício da dúvida, se bem que já tenho uma opinião formada sobre o assunto. A minha opinião sobre o processo de Bolonha é a seguinte:

- É uma desvalorização das licenciaturas, dada a sua redução curricular. Se uma licenciatura de 5 anos já vale pouco, o que dizer de uma de 3 anos.

- Depois a questão dos mestrados. Se um aluno mais carenciado já tem dificuldades em pagar as abusivas propinas de licenciatura, é obvio que não consegue pagar as “milionárias” propinas de um mestrado. Ou seja Bolonha acentua as desigualdades sociais do ensino.

- Outra razão prende-se com os diferentes desafios que cada país enfrenta. Faz sentido os países terem uma forma de ensino igual quando as suas necessidades são tão diferentes?

- Além disso é uma forma de desresponsabilizar as universidades pelo ensino dos seus estudantes, aumentando os encargos dos alunos no seu estudo. Ou seja, ensinam-te menos, pagas mais e tens que saber o mesmo, pelo que tens que despender de um maior esforço para saberes alguma coisa.

Acho que são razões suficientes para ficar de pé atrás. Vamos lá ver o que isto vai dar…




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