
É inevitável falar do aborto a poucos dias do referendo. A mim só me apetece dizer que isto está uma tremenda confusão. Antes de começar a lançar umas farpas ao NÃO assumo já que sou pelo SIM.
Os partidários do NÃO começaram a campanha utilizando como base do seu discurso o “ somos pela vida ” (e continuam a fazer questão de o repetir sempre que se fala no assunto), fazendo querer que é isso que os distingue do SIM (esses de certeza que são pela Morte). Depois aparecem com os seus discursos muito bonitos e moralistas ao som de uma qualquer música deprimente no tempo de antena que lhes é concedido na televisão, fugindo sempre às questões da vida real como por exemplo: “ Será possível erradicar a prática de aborto no nosso país? ” ou “ o NÃO contribui em alguma coisa para o combate ao flagelo social que é o aborto clandestino? ”, ou ainda “ a actual lei tem alguma coisa para oferecer às mulheres que não seja um aborto nas condições mais desumanas, com risco para a sua saúde e para a sua vida? ”. E depois se tiverem a sorte da coisa ter corrido bem, ainda têm saúde suficiente para apanharem uns 3 anos de cadeia. Os partidários do NÃO fogem a estas perguntas porque também a estas perguntas teriam que responder NÃO!
Há ainda os problemas psicológicos que um aborto, seja ele clandestino ou não trazem à mulher. Com uma diferença considerável: é que o aborto se for feito legalmente permite o acompanhamento profissional de psicólogos enquanto o clandestino não porque as mulheres não vão ter a coragem de procurar ajuda profissional dizendo que acabaram de cometer um crime!
Isto para não falar da Igreja e da sua constante desinformação, com a qual vem contribuindo ao longo dos anos para que um país que já por si anda devagar, se encontre quase parado, pelo menos em certos assuntos.
Mas até aqui tudo bem.
Eis que surgem os movimentos cívicos com umas ideias revolucionárias: “ Se o NÃO ganhar, mudar a actual lei no sentido de as mulheres não poderem ser penalizadas pela Justiça Portuguesa “.
Mau! Estão a querer virar o bico ao prego? Então mas isto não é já metade daquilo que o SIM defende? Estou a ficar baralhado!
Das duas uma, ou estes “ cidadãos em movimento “, mais uma semanita de campanha e já votavam no SIM ou então estão a começar a ficar desesperados.
Mas há mais umas coisitas que me estão a deixar um pouco confuso, nomeadamente no que diz respeito às posições de uns dirigentes partidários.
Passo então a citar um pequeno excerto de uma notícia publicada no Diário de Notícias na edição de 3ª feira dia 6 de Fevereiro de 2007 e que reza assim:
“ O líder do CDS/PP, José Ribeiro e Castro, afirmou ontem que o primeiro-ministro “ não está preocupado com a situação das mulheres “, acusando José Sócrates de se recusar a “ humanizar a Justiça “.
Esperem lá! Então mas afinal o Ribeiro e Castro é que é pelo SIM à despenalização do aborto e o Sócrates é que acha que a actual lei se adequa às exigências da nossa sociedade e aos interesses e bem-estar da mulher? Que raio, estava mesmo convencido que era ao contrário! Enfim devo andar um pouco distraído!
E continua:
“ Gostaria de ver o PS, o PCP e o BE a combater a humanização da justiça em Portugal “.
Está provado o gajo é mesmo do SIM!
E remata assim a questão:
“ Gostaria de ver o PS a querer mandar as mulheres para a cadeia “.
Oh senhor Ribeiro e Castro tenha vergonha!!!
Só para terminar, realçar aqui mais dois aspectos que demonstram a incoerência gritante dos partidários do NÃO:
A actual lei permite a prática de aborto em caso de violação e de má formação do feto. Então aqueles que defendem que esta lei serve, e já que são pelo direito à vida, estarão a dizer que os deficientes não têm direito à vida? Numa sociedade que se quer mais sensível ao problema das pessoas com deficiência isto é mesmo remar contra a maré!
Não querendo entrar pelo caminho da discussão de quando começa a vida, e admitindo que a vida começa assim que se dá a fusão dos gâmetas, como defendem muitos partidários do NÃO (e por isso a questão das 10 semanas não faz sentido), então teríamos que mudar mais uma lei, esta no sentido de proibir o uso da pílula do dia seguinte, uma vez que a mesma vai actuar depois da vida já ter sido concebida.
Ou então nada disto faz sentido!!!
Menos moralismo e mais coerência!
Os partidários do NÃO começaram a campanha utilizando como base do seu discurso o “ somos pela vida ” (e continuam a fazer questão de o repetir sempre que se fala no assunto), fazendo querer que é isso que os distingue do SIM (esses de certeza que são pela Morte). Depois aparecem com os seus discursos muito bonitos e moralistas ao som de uma qualquer música deprimente no tempo de antena que lhes é concedido na televisão, fugindo sempre às questões da vida real como por exemplo: “ Será possível erradicar a prática de aborto no nosso país? ” ou “ o NÃO contribui em alguma coisa para o combate ao flagelo social que é o aborto clandestino? ”, ou ainda “ a actual lei tem alguma coisa para oferecer às mulheres que não seja um aborto nas condições mais desumanas, com risco para a sua saúde e para a sua vida? ”. E depois se tiverem a sorte da coisa ter corrido bem, ainda têm saúde suficiente para apanharem uns 3 anos de cadeia. Os partidários do NÃO fogem a estas perguntas porque também a estas perguntas teriam que responder NÃO!
Há ainda os problemas psicológicos que um aborto, seja ele clandestino ou não trazem à mulher. Com uma diferença considerável: é que o aborto se for feito legalmente permite o acompanhamento profissional de psicólogos enquanto o clandestino não porque as mulheres não vão ter a coragem de procurar ajuda profissional dizendo que acabaram de cometer um crime!
Isto para não falar da Igreja e da sua constante desinformação, com a qual vem contribuindo ao longo dos anos para que um país que já por si anda devagar, se encontre quase parado, pelo menos em certos assuntos.
Mas até aqui tudo bem.
Eis que surgem os movimentos cívicos com umas ideias revolucionárias: “ Se o NÃO ganhar, mudar a actual lei no sentido de as mulheres não poderem ser penalizadas pela Justiça Portuguesa “.
Mau! Estão a querer virar o bico ao prego? Então mas isto não é já metade daquilo que o SIM defende? Estou a ficar baralhado!
Das duas uma, ou estes “ cidadãos em movimento “, mais uma semanita de campanha e já votavam no SIM ou então estão a começar a ficar desesperados.
Mas há mais umas coisitas que me estão a deixar um pouco confuso, nomeadamente no que diz respeito às posições de uns dirigentes partidários.
Passo então a citar um pequeno excerto de uma notícia publicada no Diário de Notícias na edição de 3ª feira dia 6 de Fevereiro de 2007 e que reza assim:
“ O líder do CDS/PP, José Ribeiro e Castro, afirmou ontem que o primeiro-ministro “ não está preocupado com a situação das mulheres “, acusando José Sócrates de se recusar a “ humanizar a Justiça “.
Esperem lá! Então mas afinal o Ribeiro e Castro é que é pelo SIM à despenalização do aborto e o Sócrates é que acha que a actual lei se adequa às exigências da nossa sociedade e aos interesses e bem-estar da mulher? Que raio, estava mesmo convencido que era ao contrário! Enfim devo andar um pouco distraído!
E continua:
“ Gostaria de ver o PS, o PCP e o BE a combater a humanização da justiça em Portugal “.
Está provado o gajo é mesmo do SIM!
E remata assim a questão:
“ Gostaria de ver o PS a querer mandar as mulheres para a cadeia “.
Oh senhor Ribeiro e Castro tenha vergonha!!!
Só para terminar, realçar aqui mais dois aspectos que demonstram a incoerência gritante dos partidários do NÃO:
A actual lei permite a prática de aborto em caso de violação e de má formação do feto. Então aqueles que defendem que esta lei serve, e já que são pelo direito à vida, estarão a dizer que os deficientes não têm direito à vida? Numa sociedade que se quer mais sensível ao problema das pessoas com deficiência isto é mesmo remar contra a maré!
Não querendo entrar pelo caminho da discussão de quando começa a vida, e admitindo que a vida começa assim que se dá a fusão dos gâmetas, como defendem muitos partidários do NÃO (e por isso a questão das 10 semanas não faz sentido), então teríamos que mudar mais uma lei, esta no sentido de proibir o uso da pílula do dia seguinte, uma vez que a mesma vai actuar depois da vida já ter sido concebida.
Ou então nada disto faz sentido!!!
Menos moralismo e mais coerência!


5 comments:
Tens razão em relação à pílula do dia seguinte.Por algum motivo a igreja é contra os contraceptivos. A questão do "Não" é uma questão essencialmente religiosa. O problema não é necessariamente a "Vida" do feto, mas o que lhe dá origem: o acto sexual.
A origem do problema, não é essencialmente o aborto e a vida, porque caso contrário, também vinham exigir condições sociais que permitam criar os filhos condignamente (como podemos ver, essa é uma questão colateral na campanha do "Não"). O problema centra-se na castidade, ou na falta dela. Eles pretendem atacar a liberdade sexual através do seu fruto, por vezes não desejado.
A lógica é muito simples: se queres foder tens de assumir as consequências! Quanto mais graves e, sobretudo puníveis forem essas consequências, melhor porque funcionam como elemento dissuasor.
Cumprimentos
Sou pelo SIM, como é óbvio... Mas também é óbvio que este referendo é um aborto...
Não me parece que este "nosso" governo de esquerda-direita-centro, se interesse realmente por ouvir a palavra do povo... Acredito sim, que por proveito próprio, lhes interesse uma certa manipulação da opinião pública...Em princípio, o SIM ganha, e se assim for, também o governo ganha a tão necessária popularidade e arrogancia Socrática...
Será que a decisão já não estará tomada à muito? Irá valer este referendo de alguma coisa? Só irá valer, caso ganhe o NÃO... O SIM, sempre esteve garantido na maioria de esquerda-direita-centro do "nosso" governo, mesmo sem qualquer referendo...
Resumindo, sou totalmente a favor da despenalização do aborto, mas também totalmente contra este referendo...
Por favor, não façam do povo parvo... Por favor, não calem o povo com referendos que parecem valer tudo, mas que não valem nada... Será que voltámos aquela velha questão da formiga no carreiro????
Este referendo é realmente um belo aborto...
Oleiros
Não retiro uma única virgula ao que tu disseste Hermano. Acho que se o governo não tivesse quase a certeza que ganhava o SIM não embarcavam numa aventura destas que os poderia tornar um governo ainda mais impopular do que já é. É obvio que isto serve os seus interesses e que o governo só tem a ganhar com esta campanha "publicitária".Tenho plena consciência disso. Até porque esta decisão poderia muito bem sair da Assembeleia da República que governa em maioria, neste caso até teria o apoio dos restantes partidos de esquerda. Até porque não se fazem referendos sobre os aumentos de impostos, sobre a recente centralização dos seviços de saúde, etc, etc.Porém, independentemente da forma como está a ser conduzida esta campanha , o referendo tinha obrigatóriamente que ser feito por uma unica razão, o refendo de 98 ganho pelo NÃO.Acho que nenhum governo tinha legitimidade pera mudar a actual lei quando a última consulta popular tinha exprimido a intenção de não o fazer.E é só por isso que sou a favor deste referendo.Porque só este referendo permite que a lei possa ser alterada de uma forma legitima.Mas isto agora coloca dois novos problemas:se o NÃO ganhar~vamos ter esta lei por muitos e longos anos, pois ninguem vai ter coragem para propor um novo referendo ou votar uma nova lei sem consulta popular tão depressa.Por outro lado se o SIM ganhar vamos ter muitos entraves do lado dos partidos do NÃO na assembeleia quando se tiverem que criar as condições necessárias para que as IVGs se realizem com as condições que todos nós "votamos" neste referendo.Já todos nós ouvimos os partidários do NÃO dizer que não querem o dinheiro dos seus impostos investido na criação destas condições e coisas do genero.Portanto, caso o SIM ganhe, a verdadeira batalha ainda está para começar!
Desculpa o comprimento do texto mas não conseguia expressar esta ideia em menos palavras.
Abraço.
Ao purpurea...
Nem mais! Como a igreja não consegue impor os seus valores, que convenhamos não se adequam muito ao imperativo da sociedade moderna, espera que eles se possam impor à custa do acaso ou de uma tragédia qualquer.
O que vale é que a igreja tem perdido influência dentro da nossa sociedade e as coisas começam a ter melhores condições para andar para a frente sem ter a igreja constantemente a servir de "travão das mentalidades".Oxalá o travão se gaste depressa...
Cumprimentos.
Digo mais, oxalá o travão se gaste e façam a curva a direito..
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