Nesta altura do ano multiplicam-se as Queimas das Fitas por esse país a fora, e como tal a Universidade que eu frequento não é excepção.
Esta é também a altura de distribuição de propaganda sobre a tradição académica para que os senhores estudantes que vão queimar cumpram com tudo “o que manda a sapatilha”.
É nesta sequência que surge um desses panfletos de tradição académica, em que, entre outras coisas, se pode ler:
O conselho de Notáveis foi fundado em 1987 e é o órgão académico que, dentro da Universidade de Évora, cumpre e zela pelo cumprimento da Tradição Académica. Esta é composta por cerimónias que têm por finalidade a integração do aluno na vida académica, bem como a sua instrução de valores importantes para a vida em sociedade.
Gosto da parte que fala dos valores importantes para a vida em sociedade, que é como quem diz “sejam todos umas ovelhas e façam tudo como resto do rebanho, da forma que alguém vos diz que as coisas devem ser feitas, e só em situações muito excepcionais pensem pela vossa cabeça!”
Se existe alguma coisa que eu tiro de 5 anos de vida académica que seja importante para a vida em sociedade é perceber que lá fora (na sociedade em geral) funciona tudo com neste pequeno universo académico. Isto é, funciona tudo na base dos interesses e do compadrio, em que invariavelmente são sempre os mesmos a sair beneficiados.
Cá dentro (neste pequeno universo), por exemplo, são criados cursos, reestruturados, e tornados a reestruturar, garantindo sempre o sustento do departamento X ou Y, deste ou daquele professor, com um determinado nº de cadeiras. E assim vão-se criando cursos que no mercado de trabalho valem pouco mais que nada, mas que sempre garantem que uns quantos desgraçados andem a pagar propinas do dobro do ordenado mínimo nacional durante uns anos. Depois se for preciso fecha-se o curso e abre-se outro com outro nome mas com o mesmo sistema. Siga…
Depois também é nas Universidades que se começam a ver alguns dos futuros políticos nacionais, a dirigirem as associações de estudantes. Quase sempre meninos que se podem dar ao luxo de fazer uma cadeira ou duas por ano (ou nem isso) e passarem quase a mobília da universidade sem que isso afecte a condição financeira do seu agregado familiar. Ou seja, meninos cujo pai não é por certo operário, desempregado, ou outro remediado que se governa com 400€ por mês (quando calha).
Isto sim é uma boa escola… para a vida!
Voltando atrás à tradição académica, a única coisa que esta tem para me oferecer é uma tremenda dor de cabeça provocada pela indecisão entre ser ovelha por um dia para agradecer simbolicamente aos patrocinadores oficias do meu curso (meus pais), o esforço que fizeram ao longo de 5 anos ou ir pelos meus princípios e cagar nesta fantochada toda! É que para eles que vêm isto de fora e com outra mentalidade, a coisa tem outro significado!
Acho que estou numa de pensar que um dia de hipocrisia e uma seca tremenda não fazem mal a ninguém e a famelga agradece!
Vamos ver o que isto dá!
Esta é também a altura de distribuição de propaganda sobre a tradição académica para que os senhores estudantes que vão queimar cumpram com tudo “o que manda a sapatilha”.
É nesta sequência que surge um desses panfletos de tradição académica, em que, entre outras coisas, se pode ler:
O conselho de Notáveis foi fundado em 1987 e é o órgão académico que, dentro da Universidade de Évora, cumpre e zela pelo cumprimento da Tradição Académica. Esta é composta por cerimónias que têm por finalidade a integração do aluno na vida académica, bem como a sua instrução de valores importantes para a vida em sociedade.
Gosto da parte que fala dos valores importantes para a vida em sociedade, que é como quem diz “sejam todos umas ovelhas e façam tudo como resto do rebanho, da forma que alguém vos diz que as coisas devem ser feitas, e só em situações muito excepcionais pensem pela vossa cabeça!”
Se existe alguma coisa que eu tiro de 5 anos de vida académica que seja importante para a vida em sociedade é perceber que lá fora (na sociedade em geral) funciona tudo com neste pequeno universo académico. Isto é, funciona tudo na base dos interesses e do compadrio, em que invariavelmente são sempre os mesmos a sair beneficiados.
Cá dentro (neste pequeno universo), por exemplo, são criados cursos, reestruturados, e tornados a reestruturar, garantindo sempre o sustento do departamento X ou Y, deste ou daquele professor, com um determinado nº de cadeiras. E assim vão-se criando cursos que no mercado de trabalho valem pouco mais que nada, mas que sempre garantem que uns quantos desgraçados andem a pagar propinas do dobro do ordenado mínimo nacional durante uns anos. Depois se for preciso fecha-se o curso e abre-se outro com outro nome mas com o mesmo sistema. Siga…
Depois também é nas Universidades que se começam a ver alguns dos futuros políticos nacionais, a dirigirem as associações de estudantes. Quase sempre meninos que se podem dar ao luxo de fazer uma cadeira ou duas por ano (ou nem isso) e passarem quase a mobília da universidade sem que isso afecte a condição financeira do seu agregado familiar. Ou seja, meninos cujo pai não é por certo operário, desempregado, ou outro remediado que se governa com 400€ por mês (quando calha).
Isto sim é uma boa escola… para a vida!
Voltando atrás à tradição académica, a única coisa que esta tem para me oferecer é uma tremenda dor de cabeça provocada pela indecisão entre ser ovelha por um dia para agradecer simbolicamente aos patrocinadores oficias do meu curso (meus pais), o esforço que fizeram ao longo de 5 anos ou ir pelos meus princípios e cagar nesta fantochada toda! É que para eles que vêm isto de fora e com outra mentalidade, a coisa tem outro significado!
Acho que estou numa de pensar que um dia de hipocrisia e uma seca tremenda não fazem mal a ninguém e a famelga agradece!
Vamos ver o que isto dá!




